Cartas: Morte e Justiça
A carta da Morte representa grandes mudanças e transformações, nos mostrando que a morte não é um fim, e sim um processo de passagem e renascimento de uma nova vida.
Para representar esse pensamento, tive como inspiração a narrativa da criação da mandioca, a qual é uma das principais fontes de alimento dos povos amazônidas.
A carta da Justiça fala sobre  equilíbrio e sobre agir com justiça perante as situações. É uma carta que eu sempre tive grande afeto por me remeter que mesmo cheios de injustiças no mundo e situações que nos desestimulem e nos abalem, devemos acreditar que há de existir justiça em algum momento.
Através desse sentimento e dessa crença, desenvolvi minha carta representando a minha visão da Deusa da Justiça representada através de um ser encantado, a qual nós guarda durante os dias e noites, nos dando força e resiliência na luta pela igualdade e pela proteção do território.
Cartas: Louca e Eremita
Quando sorteamos as cartas do tarô para distribuir os desenhos às participantes, tirei as cartas "Louca" e "Eremita". Ambas têm um significado muito importante na minha vida atual, nos rumos da minha carreira artística.
Criei a carta "Louca" com muito de mim, em alguns sentidos: uma mulher de formas mais arredondadas, cabelos ondulados. Eu quis fazer uma figura mítica, misto de mulher e bicho, uma mulher com asas de arara. O Louco é um arcano que nos traz o arquétipo de uma pessoa essencialmente instintiva, intuitiva e espontânea. Ela tenta alcançar uma flor que está atrás de uma serpente. Ela não calcula o perigo, ela se lança a ele. Ela almeja a liberdade acima de tudo.
A "Eremita" é uma mulher mais velha e mais sábia. Ela já percorreu um longo caminho e agora se recolhe aos seus próprios pensamentos em busca de autoconhecimento e autossuficiência. Ela também me representa de certa forma, posto que é uma mulher que já viveu um tanto. Eu quis representá-la como uma mulher de traços caboclos fumando um cachimbo, e da fumaça saindo uma coruja rasga-mortalha, muito comum na nossa região, fazendo referência também à sabedoria. Ainda tem uma vela diante dela, representando sua própria luz.
Cartas: Hierofante e Roda da Fortuna
A Hierofante é uma carta que traz uma representação religiosa, então quis fugir um pouco de nossas representações cristãs, trouxe uma entidade da floresta, representando a "mãe natureza". Ela usa um manto inspirado no manto tupinambá, que é um manto que foi roubado de nós, a maioria deles foi levada, e o que ainda existe no mundo está em um museu europeu. Segui a mesma estrutura da carta, com a representação religiosa no centro e 3 personagens a observando, como seus súditos, coloquei então animais da nossa fauna para representá-los. Os elementos florais também são baseados em flores e plantas da nossa região, porém feitos de maneira estilizada.
Na Roda da Fortuna trouxe um ourobouros de Miriti, um símbolo que tem diversos significados, mas fala muito sobre ciclos. Junto ao ourobouros usei os brinquedos de Miriti pra fazer essa roda do centro, inspirada em rodas gigantes de Miriti. Essa roda faz parte da estrutura da carta, então só trouxe a ela mais elementos amazônicos, como a onça e as flores. Essa flor central é inspirada na vitória régia, são todas flores estilizadas, mas baseadas em flores e plantas da nossa região.
*Miriti é uma madeira muito leve, de uma palmeira da região Amazônia de mesmo nome, muito utilizada na fabricação de brinquedos populares, principalmente na cidade de Abaetetuba-PA.
Moara Brasil Tupinambá
Cartas: Estrela e Diabo
Para a criação das cartas Estrela e Diabo, procurei utilizar das técnicas de colagem e desenho de forma mista, me inspirei nas mensagens que as próprias cartas procuraram falar. O Diabo, símbolo da fetilidade e está relacionado aos instintos humanos e desejos carnais, e que precisamos ter equilíbrio na vida. Coloquei a figura de um trisal numa rede em meio a floresta.
Sobre a Carta da estrela, que é o arcano que representa um guia que conduzirá ao universo das realizações e do alcance dos seus desejos. Significa equilibrio do mundo, confiança, esperança. Fiz uma releitura de um desenho de Jean Ferdinand Denis, em que mostra os parentes tupinambás tomando uma bebida chamada Cauim. Esta bebida aparece em festas das aldeias indígenas, tem a ver com vitórias em batalhas, colheitas, rituais de passagem, casamentos, dentre outros. Sua confecção e aprendizado está ligada a uma tradição feminina.
Bea Ariel
Cartas: Enamorados e Sol
A carta dos Enamorados traz a representação da Garça Namoradeira e Malandro Urubu, personagens popularizados pela música "No Meio do Pitiú" de Dona Onete, que foram o ponto de partida para a inspiração da ilustração. Simbolizando um casal, cada um olhando para uma direção diferente e ao mesmo tempo conectados. Busquei trazer o cenário urbano, configurado nas janelas do ponto turístico de Belém do Pará, Solar da Beira, junto com a frase que permaneceu em sua parede por anos, tornando-se parte da memória de muitos belenenses.
A abundância é o destaque da carta do Sol e para representá-la, busquei trazer o rio, este que é fonte de vida e energia que se faz tão presente em terras amazônicas. O cenário é ribeirinho, destacando dois pescadores e um boto - animal que faz parte do cotidiano e imaginário amazônicos. O Sol ilustrado traz a lembrança de uma pupunha, fruta bastante presente na mesa da família amazônida.
Mandy Barros
Cartas: Carro e Lua
Na carta do carro, a estrutura segue os padrões do Tarô, com algumas alterações. O carro é puxado por uma mulher preta e gorda, ela é adornada com peças de ouro. O cabelo rosa é uma referência à autora que utiliza constantemente essa cor. O carro possui uma textura de pequenas estrelas, dando-lhe um aspecto místico. Nas cartas de referência, o carro é puxado por lobos, os quais foram substituídos por duas onças amazônicas, uma pintada e uma onça preta, também adornadas. As onças repousam diante do carro, com um pôr-do-sol ao fundo. A carta, assim como a da Lua, também remete à descoberta da autora sobre sua ancestralidade, pois a mulher representada contém características que remetem ao Quilombo Andirá, do Amazonas. A mulher também traz uma aura cósmica e de força.
Em diversas culturas a Lua sempre esteve ligada ao universo feminino, com influências presentes, inclusive, no corpo da mulher. Sendo assim, os céus da carta trazem uma figura feminina cósmica adornada pela lua. Deveria haver gotas subindo aos céus, que foram colocadas no manto da mulher cósmica. Ocorreram algumas substituições para o contexto nacional. Abaixo, na estrutura clássica do Taró, são apresentados dois lobos brigando, que foram substituídos pelo Lobo Guará, que são animais locais brasileiros mais semelhantes com a espécie. Ao final, onde deveria ter uma lagosta, foi inserido um carangueijo, espécie mais comum na fauna amazônica. O lago foi substituído por um rio com vitórias-régias. Nesta carta foi representada uma mulher da etnia indígena Sateré-Mawé, povos que habitam o estado do Amazonas. A autora da carta optou por esta representação, pois descobriu sua conexão com esta ancestralidade no período em que produzia a carta. O rosto da mulher é inspirado nos traços das mulheres de sua família paterna.
Suca.Br (Emilly Rodrigues)
Cartas: Maga e Torre
A carta da Maga foi baseada nas mulheres erveiras do ver o peso, por manterem a longos anos a vivência e experiência da cultura e do misticismo da região.
Sobre a carta da  Torre: baseada na castanheira (árvore da castanha-do-pará), uma das maiores árvores da região Norte, sendo destruída por um desastre natural, as fortes tempestades.
Thay Petit
Cartas: Julgamento e Mundo
Procurei seguir três linhas de pensamento como inspiração. Sendo a temática do projeto o Tarô Amazônida, procurei pensar em referências que comunicasse um pouco do que é a região amazônica, com elementos da flora e fauna principalmente. Busquei incluir pequenas mudanças na concepção principal das cartas, respeitando a ideia central. E por fim, dialoguei com o repertório que eu já trabalho, dando ênfase para as imagens das mulheres negras e suas negritudes plurais, associando-as a uma flora de manejo afroindígena. Diante dessas ideias principais, quis trazer imagens de mulheres negras para além dos padrões impostos como corpos ideais. Busquei romper, também, com a dita imagem angelical, tributária da branquitude. Quis fortalecer junto a isso a presença da diversidade na região norte. Substituí as plantas e os animais que aparecem originalmente nas cartas para um repertório amazônico. Incluí a espada de Iansã, costela de Adão, comigo ninguém pode, vitória régia e cipó cabi. Assim como a onça pintada, o búfalo do Marajó e o gavião real.
Mama Quilla
Cartas: Dependurado e Imperatriz
Tenha coragem de encarar o mundo de cabeça para baixo. O Pendurado ou enforcado é uma carta que significa Aceitação do destino ou do sacrifício. Ela indica que você está passando ou irá passar por uma situação em que estará de pés e mãos atadas e nada poderá fazer.
Neste caso, você terá que ter sabedoria e tentar encontrar uma saída. Eu utilizei o bicho preguiça como simbolismo de "paciência" e assim esperar o momento oportuno para fazer algo, já que a situação irá permanecer estagnada por um tempo. Esse período de aborrecimentos será importante para elevar seu amadurecimento, sua espiritualidade e força física.
A Imperatriz do Tarot é como uma verdadeira mãe! Ela se refere ao poder de solução de problemas e melhora de qualquer situação, penetrando na alma de todos com maestria e serenidade. Na ilustração da carta, a mulher amazônida vem com um significado voltado às energias femininas, e representa seu poder de manter estabilidade.
Cor de Ketchup (Duana Aquino)
Cartas: Força e Imperador
Uma das coisas mais interessantes no processo de criação do Tarô Amazônida, foi que as cartas que foram sorteadas para as artistas se encaixaram perfeitamente com o momento atual de cada uma. E comigo não foi diferente. Em ambas, tentei trazer referências às nossas raízes culturais como povo ribeirinho e indígena, fazendo uma releitura de alguns elementos. Na carta "Força", que é uma carta que sempre cai em minhas tiragens pessoais, eu quis fazer uma releitura do animal que acompanha a moça nas representações mais comuns do arcano, que geralmente é um leão, representei como uma onça pintada, e em sua companheira, busquei trabalhar elementos que remetessem às etnias indígenas amazônidas.

Em "Imperador" eu quis brincar com a troca de gênero da personagem em foco, tendo em vista que a carta em sua versão mais comum seria "O Imperador". Fiz essa permuta pois assim como em nosso coletivo, buscamos representatividade feminina e nortista, achei que se encaixaria melhor fazer uma imperadora com referências ao nosso povo ribeirinho amazônida, de maneira que não somente eu, mas como também outras mulheres pudessem encontrar identificação em nossa arte.

Helô Rodrigues
Cartas: Sacerdotisa e Temperança
A carta da Temperança foi inspirada nos ribeirinhos e no cenário amazônico, tendo como principal personagem uma mulher ribeirinha segurando duas cuias, substituindo o que seriam dois cálices. Como cenário, o rio sua cor de barro e vitórias régias para sobressaltar mais ainda os ícones regionais.
Na carta da Papisa, me inspirei na mulher negra. No cenário amazônico, as mangas como estampa do lençol, simbolizando a fertilidade, já que a fruta é afrodisíaca.